Bike Fernanda Carvalho Toscana

Sempre sonhei em pedalar nas estradas francesas e italianas mas normalmente estava envolvida com provas de triathlon, natação, ciclismo e corrida e por isso o meu sonho ficava em segundo plano!

Mas a minha vida deu uma reviravolta quando engravidei e tive a minha pequena Catharina! Durante a gravidez fiquei sem fazer atividade física por causa de problemas na placenta e após o nascimento dela, demorei para entrar na rotina de treinos… na verdade ainda não consegui ter uma rotina como eu gostaria mas estou no caminho.

Com isso, as competições ficaram para trás! Trabalho e família ganharam ainda mais prioridade e fiquei sem metas! Sou daquelas pessoas que precisa de metas para treinar e combinei com meu marido (e treinador) que a Toscana seria a meta de 2013.

Achei que assim fosse conseguir treinar e nada! A viagem ficava cada vez mais perto e não conseguia vencer a jornada tripla de mulher, ainda mais com o trânsito caótico de São Paulo. Acredita que eu ficava em média três horas por dia dentro do carro, sem nadar, pedalar ou correr? Loucura estressante para uma atleta.

Mas mesmo assim não desistia do meu sonho! Pensava: meu corpo tem memória, tenho técnica de bike, amo pedalar, e com isso parecia convencida a não desistir! E sabe de uma coisa? Ainda bem que não desisti! Deu tudo certo!

Viajamos a família inteira para a Itália! Visitamos Roma, Veneza e Firenze. E aí, decidi deixar minha filha com a avó e sai a pedalar pela Toscana com meu marido em Lua de Mel!

Sem reservas de bicicleta, hotéis ou roteiro pré-definido, o sonho podia ter virado um pesadelo, mas a vontade era tão grande que na primeira loja de aluguel de bikes, Firenze By Bike, tivemos todo o suporte. Fomos muito bem recebidos pelos donos que discutiram o roteiro e as cidades que deveríamos parar e dormir, indicaram as melhores bicicletas (uma mountain bike Wilier) para enfrentar o tipo de percurso que tínhamos pela frente e nos tranquilizaram quanto às hospedagens, pois o que não faltavam nas pequenas cidades da Toscana eram ótimos Beds&Breakfasts.

E assim, partimos! A saída de Firenze é linda apesar de um pouco estressante, como toda cidade “grande”, logo depois entramos na estrada em direção à IMPRUNETA e percebemos que estávamos vivendo o nosso sonho! Pedalar nas estradas Toscanas! Cruzamos com tantos ciclistas indo e voltando que parecia algo normal quase banal, o que para mim era mais que especial!

Escolhemos um roteiro de três dias com aproximadamente 155 km de pedal. No primeiro dia, saímos de Firenze e pegamos a tranquila estrada do Chianti em direção ao sul da Toscana. As vinícolas começaram a virar o cenário principal e eu, louca, por vinho parei em duas (Corte di Valle e Castello Vicchiomaggio) e degustei alguns. Ha ha ha adivinha? Minhas pernas não tinham a mesma força e tive que diminuir a velocidade.

Dica # 1: Não tome vinho durante a pedalada, deixe para o jantar!

Paramos nas cidades de IMPRUNETA para tomar um café com croissant e Nutella®, em GREVE IN CHIANTI para almoçar uma bela massa (com vinho da casa… Chianti, claro!), passamos por PANZANO IN CHIANTI e finalmente  chegamos em CASTELLINA IN CHIANTI, nosso destino final do primeiro dia. Dormimos no Bed&Breakfast Villa Cristina. (www.villacristinachianti.it) indicado pela recepcionista do Centro de Informações Turísticas.

O resumo do dia foi positivo. Alcançamos a nossa meta com muito esforço, porque as subidas, uí machucaram! As estradas de Romeiros e Campos do Jordão ficam para trás! Depois do banho, coloquei minha calça de compressão, dormi vestida com ela e acordei “zerada”!

No segundo dia, bateu o entusiasmo e me senti como uma ciclista nativa! Louca de tudo! Decidimos sair de CASTELLINA IN CHIANTI e pedalar até PIENZA! Ficamos tranquilos porque o 10 primeiros quilômetros foram descidas e restas em direção à SIENA. Que cidade espetacular! Paramos para o nosso famoso lanche (croissant com Nutella®, café e suco de laranja) e para um “biketour” solo pela cidade.

Dica #2: Todas as cidades tem uma praça central e/ou uma igreja onde tudo acontece e é um ponto importante com restaurantes, banheiros, lojas de souvenir, e principalmente, obras de arte ao céu aberto. Ao entrar nas cidades vá direto para a Piazza ou para a torre da igreja e de lá conheça os arredores! Impossível se perder!

SIENA precisa ficar pelo menos dois dias para conhecer tudo, mas ficamos emocionados com o que vimos e partimos para atingir o nosso objetivo. Pegamos novamente a estrada e direção à ASCIANO, TREQUANDA e MONTISI, cidade pequena medieval que por sua beleza torna-se obrigatória uma parada mais longa. Fiquei tonta com a beleza em arte e arquitetura. Foi especial! Mas tínhamos que alcançar nossa meta! Encontramos ovelhas, vacas, campos de azeites, vinícolas, castelos, planícies e montanhas e mais montanhas, algumas com 15% de inclinação. Mas o belo cenário era a dose especial de doping, além da Nutella®, é claro… E subindo, subindo e subindo, aqui, já em zigue zague, chegamos à PIENZA.

A primeira providência foi achar um Bed&Breakfast porque estava exausta, suja, com fome e seca por um bom vinho! O centro de informações turísticas nos indicou o Rutiliano, o verdadeiro BBB (bom, bonito e barato). Melhor impossível! Tem até quarto especial para as bicicletas! Comodidade, atendimento e limpeza impecáveis por apenas 85 Euros para o casal. Fomos recepcionados pela dona do “albergo” que nos indicou o restaurante da família no centro da cidade para jantar! Aceitamos na hora!

O restaurante se chama Trattoria La Buca Delle Fate e o que eu não esperava que era tão disputado, precisava de reserva! Mas não dava para escolher outro e falamos com a alguém da família que estávamos hospedados no Rutiliano e prontamente arrumaram uma mesa para a gente! Que comida maravilhosa! E o vinho da casa? Hummm delicioso!!! E a conta no montante certo!

Depois conhecemos a cidade e fomos descansar para encarar o terceiro e último dia! Acordei com dores, mesmo com a meia de compressão, e aí demos conta que tínhamos exagerado um pouco. Mas valeu a pena!!! Para soltar as pernas fomos caminhar por Pienza para conhecer tudo e só depois partimos em direção à MONTEPULCIANO, cidade conhecida por estar no topo de uma colina.

Preparada emocionalmente e mentalmente, porém não fisicamente enchi meus bolsos de Nutella® e bom humor, afinal de contas estava pedalando na Toscana e realizando um grande sonho! A estrada não tinha muitas subidas e o cenário era de filme romântico! Quando avistamos MONTEPULCIANO, percebemos que de fato a cidade ficava no topo da montanha e que em menos de 1km tínhamos de subir 800m, com curvas em cotovelo e inclinação acima de 15%! Só no zigue zague! Mas consegui!!! Procuramos pela praça e pela igreja, que eram os únicos lugares planos da cidade, para suplementar com (croissant, Nutella®, suco de laranja e café… rsrsr!).

Depois de conhecer a cidade, tomamos a decisão de pegar o trem e voltar para Firenze, ao invés de seguir para CHIUSI porque estávamos cansados, com saudades da Catharina e com receio de não chegar à tempo na próxima cidade para pegar o trem de volta à Firenze. Morri arrependida!!!! Se tivéssemos ido até CHIUSI, além de conhecer mais uma cidade, o trem era direto para Firenze e não com três baldeações como o que partiu de Montepulciano. Era só ter comido mais Nutella®!!!

Mas ao chegar em Firenze e encontrar a Catharina correndo na estação de trem em nossa direção foi emocionante, além de ter realizado o sonho de pedalar na Toscana com foco, superação, amor, equilíbrio, companheirismo e determinação. Faltou ter mais disciplina nos treinos, que nada e nem ninguém irá substituir na próxima vez. Porque não vale a pena!!!